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Sexta-feira, 7 de Março de 2008

Sexo é importante na reabilitação

A preocupação com o sexo após o câncro da mama é uma das questões base desta vivência.

Os seios são, desde sempre, uma das partes do corpo mais valorizadas sexualmente por homens e mulheres. Qualquer ideal de beleza feminina contempla seios bonitos e firmes. São uma das «fontes» de prazer durante os preliminares e ao longo do acto sexual em si.

Tendo em conta este quadro, amputar um seio pode ser, a todos os níveis, uma experiência traumatizante, após a qual se inicia um processo complicado de recuperação e de adaptação da mulher à sua nova imagem. É preciso muito esforço e força de vontade para enfrentar esta perda.

Muitas mulheres simplesmente não sabem como reagir. «Algumas resolvem isolar-se, esconder-se, deixam inclusivamente de ir à praia. Outras recorrem a métodos estranhos para substituir o volume que antes era preenchido pela mama, ou então passam a vestir-se de maneira nada condizente com a sua idade, com o objectivo de esconder o seu corpo e não perder assim o seu encanto e charme pessoais», explica a Dr.ª Catarina Mexia, psicóloga.

O sexo como reabilitação da mulher

Quando a mulher se vê confrontada pela primeira vez com a assustadora realidade de um cancro, provavelmente as suas preocupações iniciais voltam-se mais para a sua sobrevivência. Mas, logo que foi aplicado o tratamento, outra questão se torna crucial — até que ponto é que a vida destas mulheres volta ao normal, mesmo que o cancro tenha sido controlado.

E para quê falar em sexo, quando esteve em causa a sua vida? O sexo no casal entra neste cenário como um aspecto bastante importante para a reabilitação da mulher. «A existência de uma sexualidade idêntica à que havia antes da cirurgia torna-se fundamental para o retomar de uma vida normal e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida», afiança a psicóloga.

A faixa etária de incidência deste tipo de doença é cada vez mais baixa, acompanhada de uma esperança de vida cada vez mais longa. Logo, é natural que o casal queira continuar a sua vida sexual, desde que agradável e gratificante para os dois.

«O pior inimigo de uma sexualidade saudável é o silêncio. É sempre embaraçante falar com o médico sobre como retomar a actividade sexual. É necessário dar o passo em frente e discutir com o médico o tema da sexualidade, da mesma forma com que se discutem os problemas de alimentação ou do regresso ao trabalho. Sem excluir o seu marido ou companheiro deste diálogo, porque ele também será invadido por receios e questões», afirma Catarina Mexia.

Informação acerca dos efeitos do tratamento do cancro sobre as diversas etapas do acto sexual ajuda naturalmente o casal a compreender as alterações fisiológicas e psicológicas que podem ocorrer nesta situação.

 

Prazer mantém-se

Há que salientar que, apesar de todos os efeitos do cancro ou do seu tratamento, a capacidade de sentir prazer através do toque nunca desaparece. E a sua preservação poderá facilitar a manutenção do interesse e da auto-estima da mulher.

Uma das grandes consequências de uma mastectomia na vida sexual de uma mulher é a deterioração dos seus sentimentos e da sua percepção de continuar a ser uma mulher atractiva. «A remoção de um seio pode deixar a mulher insegura acerca da aceitação pelo seu parceiro e do grau de desejo que ainda possa criar, porque todos fomos ensinados a encarar os seios como uma parte essencial da beleza e feminilidade de uma mulher», salienta a psicóloga.

O peito e os mamilos são fontes importantes de prazer para muitas mulheres, acariciá-los durante os preliminares é muito frequente. O tratamento local de formas menos dispersas de cancro pode afectar a sensibilidade do seio e, consequentemente, alterar ou anular o prazer extraído desse contacto. Por vezes, a dor pode estar presente e é fundamental que a mulher seja capaz de partilhá-la com o seu parceiro, de forma que em conjunto encontrem novos pontos de excitação mútua.

Mastectomia "não é o fim do mundo"

Numa mastectomia radical todo o seio é retirado. Embora algumas mulheres tenham prazer ao ser acariciadas na área em redor da cicatriz, outras preferem não ser tocadas e afastam todas as carícias dos seios dos jogos amorosos. Porque sofrem de dor crónica na parte superior do peito e ombros. Situação que pode ser aliviada se forem utilizadas almofadas como suporte dessas áreas durante o acto sexual.

Eventualmente, será necessário «descobrir» em conjunto novas posições durante o acto sexual. É fundamental manter um espírito aberto para estas alterações e tentar tirar o maior partido da situação, adoptando novas formas de relacionamento sexual.

O que pode esperar uma mulher que gostaria de retomar a sua vida sexual? Pode sentir receio de que o acto sexual seja doloroso ou que nunca mais consiga um orgasmo. «Os primeiros contactos podem ser pouco encorajadores, mas da mesma forma que começamos a gostar do sexo, como parte integrante do nosso crescimento, podemos voltar a fazê-lo na intimidade do casal, e voltar a ter prazer mesmo depois de uma mastectomia radical», conclui Catarina Mexia.

É importante lembrar-se que fazer uma mastectomia não é «o fim do mundo» e que a sua vida sexual pode ser tão boa como era até então. Tente obter a compreensão do seu companheiro, pois, assim será mais fácil enfrentar a dois o desafio. Se necessário, pode recorrer a ajuda médica e há mesmo a possibilidade de fazer psicoterapia.

Dr.ª Catarina Mexia, Psicóloga

in Sapo Saúde


Postado por Isa às 12:11
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2 comentários:
De Desconhecido a 7 de Março de 2008 às 16:14
Isa, já vi documentários, contados na primeira pessoa, de mulheres a viver este drama e fiquei muito sensibilizada...

É um tema delicado, assim como ainda continua a ser falar de sexo em geral, infelizmente, mesmo sem problemas de saúde, mas nestes casos é de facto muiiiiiiiiito triste o que pode acontecer a um casal.
Principalmente á mulher... mas se conseguem vencer a doença, também conseguirão vencer um companheiro mal formado e informado, não é?!

Parabéns aos homens que continuam a amar as suas companheiras sem "um pedaço" do corpo. Afinal a mulher está toda, o corpo é só um "invólucro".

Bjinhos
CJ
De Isa a 7 de Março de 2008 às 16:26
Sem dúvida..tb já ouvi testemunhos até de cara tapada, a dizerem que os homens, deixaram de as desejar e nem se quer falam do assunto.é assim e pronto.
Graças a Deus, tenho uma pessoa muito especial a meu lado que desde a primeira hora me deu a mão para juntos vencermos esta batalha e não sei o dia de amanhã como ninguem sabe, mas agradeço a Deus, de me o ter posto no meu caminho, sei que sem ele tinha sido bem mais dificil.
Quando o amor se resume ao corpo, a mama, penso que não é amor...

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