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Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Cirurgias de reconstrução com atraso de ano e meio

 

Doentes a necessitar de intervenções cirúrgicas como reconstruções mamárias esperam meses nas listas de espera dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde. Médicos criticam o Ministério da Saúde pela falta de critérios uniformes a todos os hospitais, o que ajudaria a determinar os casos prioritários.

Os hospitais do Serviço Nacional de Saúde demoram, em média, um ano e meio a dar resposta às cirurgias plásticas, como as reconstruções da mama após um cancro ou as que visam eliminar as pregas de pele de ex-obesos. Várias unidades contactadas admitiram esperas entre ano e ano meio. "Mesmo quando são emitidos os vales-cirurgia, muitos doentes optam por ficar na sua unidade e com o seu médico. Assim que há vaga, são operados", refere Celso Cruzeiro, chefe de serviço dos Hospitais Universitários de Coimbra e presidente da Sociedade Portuguesa de Cirurgia Plástica.

Dos 7338 doentes registados em lista até Setembro de 2008, 40% já estavam inscritos há mais tempo do que o previsto por lei, embora 93% fossem casos menos prioritários. São precisamente estes que estão sujeitos às esperas maiores.

No Hospital de Santa Maria, o director de serviço, Caneira da Silva, acredita que "até ao final do ano sejam operados doentes que estão à espera desde 2007. Somos o maior hospital do País e recebemos doentes de todo o País".

Apesar de a produção ter aumentado significativamente, a unidade tem cada vez menos especialistas. "Em 2006 tínhamos 20 médicos a tempo inteiro. Agora temos dez e meio, contando com os casos de tempo reduzido", frisa.

Apesar desta espera, o médico diz que os casos urgentes são logo operados. "Podem ser cancros, mas também fracturas da face, úlceras da perna, entre outras". O relatório da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS), refere que havia 917 doentes menos prioritários que esperavam há demasiado tempo, a que se juntam 92 casos prioritários e três muito prioritários.

No São João, os doentes menos graves esperam um ano. "Estamos a dar resposta mesmo a casos não cruciais, como a cirurgia após colocação da banda gástrica ou hipertrofias mamárias, por isso há um número residual de casos enviados para outras entidades", diz o director de serviço José Amarante que lembra que muitos doentes preferem esperar em lista.

Maria Angélica Almeida, do Hospital de São José, recorda os tempos em que se esperavam três a quatro anos. "Hoje estamos com ano e meio. Mas não há casos urgentes operados fora de tempo".

Em Coimbra, nos Hospitais Universitários, o esforço da equipa para produzir mais tem levado à redução das pessoas em espera. No entanto, "com o fecho do serviço de Santarém e Viseu somos os únicos a dar resposta no Centro, lamenta Celso Cruzeiro. A procura aumenta a cada ano, "por questões culturais, de avanço das técnicas e porque as pessoas sabem mais sobre os seus direitos".

Caneira da Silva chama a atenção para um aspecto importante: é que a necessidade de cumprir os tempos máximos tem levado mais à quebra da relação médico-doente. "Há médicos que lidam com casos de doentes mais complicados e outros que não têm disponibilidade para operar todos os seus doentes com patologias menos graves. São estes que acabam por ter de passar os seus doentes a outros colegas, o que pode até quebrar a relação de confiança. Há médicos que usam técnicas diferentes para um mesmo problema, o que pode gerar dúvidas ao utente."

Há um grande esforço para se cumprir os tempos dos quatro níveis de prioridade para a cirurgia: casos urgentes, muito prioritários, prioritários ou com prioridade normal. O problema é que cada unidade tem ideias diferentes sobre o que deve integrar cada um.

José Amarante, director de serviço do Hospital de São João, considera, por exemplo, que uma reconstrução mamária na sequência de um cancro é uma cirurgia muito prioritária, o segundo nível na escala definida pela tutela. E para isso tenta dar-se uma resposta em três ou quatro meses. Maria Angélica Almeida, do Hospital de São José, considera, por outro lado, que estas cirurgias podem ficar no último grau, porque delas não depende a sobrevivência da doente. São exemplos como estes que mostram que cada hospital tem as suas regras. "Isto é controverso", afirma Celso Cruzeiro. "Num País pequeno não faz sentido não haver regras semelhantes e isso compete ao Ministério da Saúde. E a Ordem dos Médicos podia estabelecer critérios gerais até para segurança do clínico e para haver transparência para o doente."

 

http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1240623">http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1240623

____

 

No meu caso, desde que me inscrevi até à cirurigia, passou um ano, mas como me inscrivi logo, posso dizer que esse nao não foi de espera, uma vez que dois meses antes da cirurgia, é que terminei os tratamentos e por isso, a partir dessa altura é que poderia ser operada.

No entanto conhecço casos, que foram anteriores ao meu, e que se inscreveram primeiro do que eu, e ainda continuam na lista de espera, claro que não estamos a falar do mesmo hospital, mas é de lamentar que assim seja.

Posso testemunhar, que nunca me senti inferior a mulher nenhuma enquanto fui mastectomizada, nunca me escondi do espelho, do meu companheiro, sempre fiz uma vida normal, durante os 2 anos que tive mastectomizada, mas sinto-me muito melhor desde que fiz a reconstrução mamária.

Aconselho.

 

 

Postado por Isa às 09:49
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3 comentários:
De isabel a 22 de Maio de 2009 às 14:42
Eu também, não tem compração possivel.
Is@
De Joana S. Mendes a 1 de Junho de 2011 às 22:38
Olá Isabel! 
Estava à procura de informação sobre reconstrução mamária e ainda bem que vim aqui parar! 


Fiquei hoje a saber que a minha mãe fará uma mastectomia, mas fiquei ainda mais preocupada quando o médico nos disse que só para o próximo ano é que se estaria a fazer a reconstrução mamária. 


Achei isso uma violência tremenda, como é que é possível que uma mulher no séc. XXI ande um ano sem mama? É algo que faz parte do nosso corpo, identidade e imagem que temos de nós mesmos. 
Não percebo este país, até porque, pelo que li no artigo que publicou não há regras, cada director clínico decide. 


Assim, gostaria de lhe perguntar, se sabe se é possível fazer a reconstrução a nível privado, no Porto, e mais ou menos quanto é que seria o preço.


Muito agradecida, os melhores cumprimentos e Parabéns pelo blog


Joana Mendes



De isabel a 3 de Junho de 2011 às 11:43
Eu fiz reconstrução no privado no Porto.
O meu e-maill     imaria@live.com.pt
Is@

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