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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Cancro da Mama

 

Não podemos deixar de iniciar um artigo sobre cancro da mama sem algumas reflexões sobre os números. Na verdade, o cancro da mama continua a ser, na Europa, o tumor mais frequente na mulher.

 

Em Portugal os dados disponíveis referentes a 2006 indicam um número de novos casos de 103,5 por 100.000 habitantes (uma em cada dez mulheres aproximadamente). A estimativa da mortalidade em Portugal, para o ano de 2006, foi de 21,0 por 100.000 habitantes. Isto significa, de grosso modo, que 2 em cada 10 mulheres diagnosticadas com cancro da mama irão morrer devido à doença.


 

Isto significa também, e deixando o pessimismo, que 8 em cada 10 mulheres diagnosticadas com cancro da mama irão viver!!!

 

Sou por natureza optimista e tento passar essa mensagem para as minhas doentes, pois mais do que a minha natureza, a evidência científica mostra-nos que temos razões para ser optimistas.


 

Este optimismo deve-se mais uma vez à ciência e aos seus avanços pois o diagnóstico e o tratamento do cancro da mama melhoraram espectacularmente nos últimos anos.


 

No entanto é difícil ultrapassar a barreira do pessimismo quando se encara a possibilidade de ter um cancro da mama. E porquê?


 

Obviamente porque a ideia de cancro continua associada à ideia de morte e na mama à ideia de amputação (mastectomia) e ainda à ideia dos efeitos nocivos provocados pelos tratamentos de quimioterapia e radioterapia.


 

O que fazer então perante a suspeita de que algo não está bem na mama, quer porque surgiu algum sintoma, quer porque os exames mostraram algo de anormal. Este é o primeiro problema que as mulheres têm que enfrentar.


 

Um conselho nesta fase, calma, mais de 80% das alterações, clínicas (nódulos, dor) ou infraclínicas (detectadas apenas nos exames), são benignas. Também nesta altura é muito importante o esclarecimento detalhado sobre o órgão, a sua fisiologia e o que significam os sintomas que aparecem. Aqui uma chamada de atenção: o diagnóstico das lesões da mama não deve ser feito inicialmente com a cirurgia! Com os exames que actualmente temos disponíveis (Mamografia, Ecografia, Ressonância e Biópsias de Agulha) podemos, sem ter que fazer uma operação, obter um diagnóstico correcto em mais de 95% dos casos.


 

Mas, e se a suspeita for de um cancro, pois eles existem? Também aqui e hoje, inequivocamente, um bom diagnóstico leva a um melhor tratamento. Saber que se tem um cancro não é suficiente, pois não só não há dois cancros iguais como o comportamento de cada um varia de acordo com o organismo onde se desenvolveu.


 

Realço por isso a necessidade de saber o que vamos tratar e como o vamos tratar. Mais uma vez a primeira atitude deve ser realizar todos os exames possíveis para saber tudo sobre o cancro que vamos tratar. Da mesma forma devemos saber tudo sobre a mulher que vamos tratar!


 

Há 20 anos atrás nenhuma destas afirmações era importante pois o tratamento do cancro da mama passava sempre por retirar a mama (mastectomia) e os gânglios debaixo do braço (esvaziamento axilar). Hoje, ainda que essa opção continue a existir, outras alternativas, que vão desde a cirurgia conservadora até à mastectomia com reconstrução imediata (na mesma altura em que se tira a mama faz-se a reconstrução) e aos tratamentos de quimioterapia primária (antes da cirurgia) para tornar o tumor mais pequeno e permitir uma cirurgia mais limitada, se afirmaram permitindo às mulheres que têm estas escolhas uma forma diferente de ver a doença e o tratamento. Esta diversidade de opções aplica-se também à radioterapia e aos tratamentos sistémicos (quimioterapia, hormonoterapia e terapias biológicas).


 

Hoje o tratamento é afinado para cada mulher e para cada cancro. São os chamados "tailored treatments", em português os tratamentos talhados para cada um. Esta abordagem cen-tra-se na diversidade do indivíduo e da doença e tem como objectivo fundamental a optimização do tratamento com consequente melhoria da sobrevivência.


 

Com estes ingredientes, um melhor diagnóstico e novas formas de tratamento, é claramente mais fácil passar a todos, e com convicção, a tal mensagem de optimismo.


 


Dr. Maria João Cardoso,
Coordenadora do Grupo de Patologia Mamária do Hospital de S. João e
Professora Auxiliar de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP)

in Médicos de Portugal

 

_____

Achei este texto muito esclarecedor e cheio de optimismo.

Obrigada Drª Maria João Cardoso

Postado por Isa às 09:20
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4 comentários:
De Natalia Neves a 13 de Novembro de 2008 às 10:57
Bom dia

São estes esclarecimentos que nos dão força e esperança...
É isto que nós queremos que nos digam, que há esperança de vida para quem sofre com este problema.
Eu sou optimista , talvez demasiadamente optimista .Encaro o meu cancro como outra doença qualquer.
Eu decidi que vou vencer ... E vou mesmo...
Beijinhos
De lina a 13 de Novembro de 2008 às 13:48
Olá Isa boa tarde, realmente um texto muito bem escrito,facil de entender e muito optimista e Natália só pelas tuas palavras já és uma VENCEDORA penso da mesma forma que tu ;) Beijinhos ás duas se quiseres podes passar no meu blog estamos todas no mesmo barco, umas LUTADORAS!
De Visitante a 13 de Novembro de 2008 às 19:27
Olá, Isa

Estou bastante sensibilizado por mais esta acção tua.

Tens ideia do bom serviço que prestaste a muitas mulheres ao divulgares este texto?

Beijinho... e forcinha, quer a ti, quer a todas as Lutadoras que aqui passam.

Visitante
De Isa a 14 de Novembro de 2008 às 09:27
olá bom dia, achei o texto, sem dúvida muito bom, faço até um agradecimento à autora.
beijos

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