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Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Enfermeiros oncológicos sem meios

O diagnóstico está traçado há algum tempo: os doentes oncológicos vão ser cada vez mais e vão viver até mais tarde. Em consequência, os cuidados paliativos serão cada vez mais importantes. Mas serão os hospitais a dar resposta prioritária a esta realidade? Para a Associação de Enfermagem Oncológica Portuguesa (AEOP), a resposta é negativa. Os profissionais de saúde devem acompanhar os pacientes em casa e colocar o centro dos tratamentos na rede familiar.


No entanto, os meios instalados no terreno são ainda muito rudimentares. "Temos muito que trabalhar nesse campo e os recursos são diminutos. O trabalho com doentes oncológicos requer uma grande humanização e o espaço familiar é privilegiado", disse ao CM Jorge Freitas, presidente da AEOP, abordando um dos temas centrais da discussão da segunda reunião nacional que se realizou recentemente em Vila Nova de Gaia. "Este é um dos maiores desafios da classe", acrescentou.

 

A ideia é partilhada pela enfermeira Lília Castro, há muitos anos a trabalhar no IPO Porto e com larga experiência em trabalho domiciliário. "São necessárias equipas multidisciplinares que façam o acompanhamento em casa dos doentes. É fundamental ir até às pessoas e mostrar-lhes como é que se faz o curativo, como se vira uma pessoa na cama e como se ministra uma injecção. São coisas que é preciso fazer com o familiar", explicou.

 

A enfermeira recordou uma história que demonstra o estado precário deste processo. "Um dos nossos doentes tinha a mulher a trabalhar fora e eram os dois filhos, de 11 e seis anos, que cuidavam dele. O mais velho não ia muitas vezes à escola para estar com o pai, que tinha medo de estar sozinho. Não havendo solução na comunidade, acabou internado."

 

O IPO tem apenas uma equipa que acompanha as famílias em casa. "Ainda vamos muito ao domicílio, mas a ideia é formar os enfermeiros dos centros de saúde que podem descentralizar o serviço", referiu a enfermeira.

 

Outra questão a melhorar é a especialização de enfermeiros oncológicos. "Existem nos IPO e nas unidades hospitalares com serviços oncológicos, mas faltam ao nível dos centros de saúde, onde é preciso apostar", acrescentou Lília Castro. Para Jorge Freitas, a especificidade da função assim o exige. "Pela necessidade de conhecimento das técnicas, bem como pela constante alteração das drogas a ministrar."

 

LIGAÇÃO ENTRE SERVIÇOS

 

Porque nem todos os doentes oncológicos têm um IPO ou um hospital à porta de casa, é fundamental que a rede de cuidados se estenda, como tem acontecido, aos centros de saúde. É aí que o tratamento dos doentes pode ser mais alargado e efectivo. Mas para tal é preciso que a rede funcione.

"A partilha de informação é fundamental e para isso os doentes deviam ter através dos sistemas informáticos uma ficha única. Só assim seria possível", disse Jorge Freitas.

 

 

 

"APOIO ÀS FAMÍLIAS AINDA É DIMINUTO" (Conceição Megano, Enfermeira e familiar de doentes)

 

Correio da Manhã – O que representa a experiência de ver um familiar sofrer de cancro?

Conceição Megano – O primeiro caso que vivi em família foi há 12 anos com a minha mãe, que veio a falecer. Dos meus 16 irmãos, três já morreram, igualmente da doença, e tenho uma sobrinha a passar pelo mesmo. A experiência com a minha mãe, por ser a primeira, deu-nos força, para, enquanto família, suportarmos o que se seguiu. Uniu-nos muito e obrigava-nos a um grande esforço de multiplicação para podermos estar sempre com ela.

– É um quadro muito negro?

– É verdade, mas eu também já ultrapassei um cancro. Posso dizer que me sinto uma privilegiada por todas estas situações, até porque vivi e partilhei experiências muito profundas.

– O que é que foi mais difícil de ultrapassar?

– Ver alguém que nos é próximo a passar pela experiência não é fácil. Foi muito duro ver a minha mãe daquela forma. Com os meus irmãos revezávamo-nos a cuidar dela, mas não foi fácil. Por acaso tinha a facilidade de ser enfermeira e assim estar mais preparada para lidar com a situação.

– Das experiências por que passou, onde é que acha que o sistema falha?

– Apesar de as coisas estarem melhores, a verdade é que o apoio psicológico às famílias ainda é diminuto. É importante esse apoio, até porque nem todos respondem da mesma forma. Alguns dos meus irmãos ficaram revoltados.

 

 

PORMENORES

 

VOLUNTARIADO

Para ser voluntário na Liga Portuguesa Contra o Cancro é preciso ter mais de 18 anos; comparecer a entrevistas de avaliação de disponibilidade e motivações; frequentar um curso de formação promovido pela LPCC (no caso da candidatura ser aceite) e estagiar durante um período de tempo variável.

 

5171 DOENTES

No IPO do Porto foram observados, em 2006, 5171 pacientes. Os tumores mais comuns foram o da mama (828), próstata (693), recto (387), estômago (334) e traqueia, brônquios e pulmão (313). Foram assistidos mais homens (2731) do que mulheres (2440).

 

CRESCIMENTO

Entre 2001 e 2007 o número de casos de cancro registados nos hospitais e centros de saúde do Sul do País (que engloba Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve e Madeira) aumentou 5%, atingindo um total de 19 300 numa população de 4,5 milhões.

SOCIEDADE CIVIL

A enfermeira Lília Castro reforça a necessidade de um maior empenhamento da sociedade civil nesta área de apoio às famílias. É cada vez mais fundamental, numa altura em que "há uma maior desresponsabilização por parte dos filhos nestas situações".

 

O MEU CASO: "VIVEMOS AS 24 HORAS MUITO INTENSAMENTE" (Ivo Moreira)

Para quem aos 17 anos tem uma inflamação na garganta, a última coisa que lhe passa pela cabeça é que um cancro possa estar a tomar conta do seu corpo. Com Ivo Moreira não foi assim. Após os exames de diagnóstico veio a confirmação: tinha um linfoma de Burkitt (cujo tratamento é muito parecido ao da leucemia). Para um jovem, activo e futebolista na época, representou uma reviravolta brutal na sua vida.

"É uma altura complicada, em que tudo é vivido a toda a velocidade, sem tempo para parar. Quando se recebe uma notícia destas, e em 1997 havia pouca informação sobre cancro, as expectativas são sempre as piores", diz Ivo, agora bombeiro e socorrista. A experiência fez com que quisesse viver no limite e as 24 horas do dia, muitas vezes, são poucas para fazer tudo o que quer. Recentemente, começou a tirar o curso de Psicologia.

"Apesar de algumas picadas na coluna – as punções lombares–, que eram muito dolorosas, o meu caso foi de sucesso, até porque tive uma remissão muito boa", explica Ivo.

Dos muitos meses de internamento no IPO do Porto, faz uma analogia que é reveladora. "É como o ‘Big Brother’. Vivemos as 24 horas muito intensamente. Houve amizades que ficaram, mas infelizmente houve muita gente que morreu", afirma, pesaroso.

Actualmente, olhando para a experiência por que passou, identifica os ensinamentos que se advinham. "Passei a dar outro valor à vida e fez-me crescer como pessoa", lembra.

Marcante, na altura da doença, foi também a morte da avó com quem viveu até aos seis anos. Maria Antónia, com 65 anos, fez a promessa de ir a pé até Santa Rita, caso o neto encontrasse a cura. Ao fazê-lo, acabou atropelada no caminho e morreu. "Foi traumático", recorda Ivo.

 

PERFIL

Ivo Moreira, de 29 anos, natural de Lousada, viveu na adolescência a época mais marcante da sua vida. Um linfoma atirou-o para os corredores dos serviços de Oncologia. Uma experiência que lhe deu a força para viver a vida no limite.

 

NOTAS

 

POUPAR DINHEIRO

Jorge Freitas, líder da AEOP, defende que a partilha de informação pouparia dinheiro em tratamentos.

 

SEGUNDA REUNIÃO DA AEOP

Decorreu nos passados dias 22 e 23 Maio a 2.ª reunião da AEOP com 200 congressistas.

 

MAIS RADIOTERAPIA

O programa nacional para as doenças oncológicas quer aumentar de 30 para 64 as unidades com Radioterapia.

 

Postado por Isa às 09:00
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